A Cagepa está executando um pacote de R$ 50 milhões em investimentos no sistema de saneamento de Campina Grande, com obras que envolvem expansão da rede de esgotamento sanitário, modernização de estruturas existentes e intervenções para reduzir problemas provocados por tubulações antigas.
Em entrevista ao Jornal do Meio-Dia, da Campina FM, o gerente regional da Cagepa, Lucílio Vieira, explicou que os recursos estão divididos em duas frentes: R$ 28 milhões para expansão e R$ 22 milhões para revitalização e modernização do sistema existente.
Segundo o gerente, não se trata apenas de obras anunciadas ou aguardando início. As intervenções já estão em execução.
NOVAS LIGAÇÕES E MAIS DE 15 QUILÔMETROS DE REDE
Parte dos investimentos deverá beneficiar cerca de 6 mil moradores, com a implantação de mais de 1.700 novas ligações domiciliares e mais de 15 quilômetros de rede coletora de esgoto.
Entre as áreas contempladas estão bairros como Jardim Tavares e Novo Cruzeiro. Lucílio explicou que Campina Grande já alcançou a meta estabelecida pelo Marco Legal do Saneamento para cobertura de água e trabalha para antecipar também a meta referente ao esgotamento sanitário.
A legislação estabelece como objetivo para 2033 o atendimento de 99% da população com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto.
ESTAÇÃO DA CATINGUEIRA PASSA POR REVITALIZAÇÃO
Outra frente envolve a reestruturação da Estação de Tratamento de Esgoto da Catingueira e a recuperação do emissário responsável por transportar o esgoto coletado até o sistema de tratamento.
De acordo com Lucílio Vieira, foi utilizada uma tecnologia de recuperação pelo chamado método não destrutivo em aproximadamente um quilômetro da tubulação. O procedimento permite revestir internamente a estrutura existente e, segundo o gerente, garante mais de 50 anos de vida útil.
Durante os trabalhos, foram retiradas mais de cinco toneladas de resíduos da tubulação. O gerente chamou atenção para materiais encontrados nas redes, como papel higiênico, fraldas descartáveis, lenços umedecidos e absorventes, que contribuem para obstruções.
CAGEPA PREPARA TROCA DE ANTIGAS TUBULAÇÕES DE FERRO
A companhia também identificou, com utilização de georadar, pontos de Campina Grande que ainda possuem antigas tubulações de ferro na rede de abastecimento de água.
A Cagepa prepara um cronograma para substituir essas estruturas por tubulações de PVC. O processo, segundo Lucílio, já entrou em fase de licitação.
O gerente antecipou que as intervenções deverão provocar transtornos temporários porque será necessário abrir vias para realizar as substituições. O objetivo, porém, é diminuir vazamentos, perdas de água e interrupções no abastecimento.
No Catolé, por exemplo, a companhia já realizou uma intervenção preventiva após três rompimentos consecutivos em um emissário antigo. Aproximadamente 500 metros de tubulação foram substituídos por material com vida útil estimada entre 30 e 40 anos.
RECUPERAÇÃO DO ASFALTO TERÁ MUDANÇAS
Outro ponto abordado durante a entrevista foi a reclamação de moradores sobre a recuperação do pavimento depois dos serviços realizados pela Cagepa.
Lucílio reconheceu que a recomposição está entre as principais reclamações recebidas pela companhia. Segundo ele, a Cagepa passou a exigir da empresa responsável a aplicação inicial de um pavimento provisório, permitindo melhor compactação do terreno antes da recomposição definitiva.
A companhia também está finalizando uma licitação para modificar a recuperação em intervenções maiores. Nos casos em que a recomposição ultrapassar cinco metros quadrados, a previsão é recuperar uma área maior do trecho afetado.
EXPANSÃO URBANA AUMENTA DESAFIO DO SANEAMENTO
Lucílio Vieira destacou ainda que o crescimento de Campina Grande cria novos desafios para a expansão das redes de água e esgoto. Além da topografia irregular em determinadas regiões, muitas áreas já estão pavimentadas quando recebem novas intervenções de saneamento, tornando as obras mais complexas e caras.
O gerente afirmou que, depois das expansões atualmente em andamento, deverão permanecer principalmente áreas isoladas ainda sem integração completa ao sistema de esgotamento sanitário.
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