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Foto: canva.com

Bruno Cunha Lima e CAGEPA trocam acusações sobre Açude Velho

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A crise ambiental no Açude Velho, um dos principais cartões-postais de Campina Grande, tem revelado mais do que problemas estruturais no manancial: expõe um impasse público entre a Prefeitura e a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba sobre quem deve responder pela degradação ambiental da área.

De um lado, o prefeito Bruno Cunha Lima afirma que o município cumpre sua parte ao atuar na drenagem urbana e no controle das águas pluviais, atribuindo à CAGEPA a responsabilidade pelo esgotamento sanitário e, consequentemente, pelo lançamento irregular de efluentes que atingem o açude. Segundo o gestor, a companhia já teria sido notificada em anos anteriores por irregularidades.

Do outro lado, a CAGEPA rebate as acusações. O gerente regional da companhia, Lucílio Vieira, sustenta que o problema do Açude Velho é histórico e multifatorial, envolvendo assoreamento, ausência de dragagem, falta de manutenção contínua e ligações clandestinas na rede de drenagem pluvial — cuja fiscalização, segundo ele, é atribuição do município, conforme estabelece o Marco Legal do Saneamento Básico.

A divergência ganhou novos contornos após uma reunião realizada no Ministério Público da Paraíba, que discutiu medidas de médio e longo prazo para a recuperação do manancial. Enquanto a Prefeitura afirma ter apresentado relatórios de fiscalização de mais de 60 imóveis no entorno do açude, apontando casos de despejo irregular de esgoto, a CAGEPA criticou não ter sido convidada para o encontro, apesar de ser diretamente citada como responsável por parte dos problemas.

Especialistas ouvidos em debates públicos anteriores sobre o Açude Velho costumam destacar que a recuperação do manancial exige ações integradas, como dragagem, controle rigoroso de ligações irregulares, manutenção permanente da rede de drenagem, tratamento adequado de efluentes e definição clara de responsabilidades entre os entes públicos. Sem isso, intervenções pontuais tendem a ter efeito limitado.

Enquanto Prefeitura e CAGEPA trocam acusações, o Açude Velho segue apresentando sinais visíveis de degradação, afetando não apenas o meio ambiente, mas também a paisagem urbana, o turismo e a qualidade de vida no centro da cidade conhecida como Rainha da Borborema. A expectativa agora recai sobre a mediação do Ministério Público para que o debate institucional avance da disputa de narrativas para soluções técnicas efetivas.

Fonte: Alan Ferreira

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