Um estudo técnico desenvolvido pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite (LAPIS) trouxe novos elementos para compreender a mortandade de peixes registrada no Açude Velho, em Campina Grande. A pesquisa utilizou imagens de alta resolução e uma base histórica de mais de 40 anos para analisar o comportamento do reservatório.
De acordo com o professor e pesquisador Humberto Barbosa, durante entrevista ao programa Jornal do Meio Dia da Campina Fm, os dados revelam que o açude já vinha apresentando uma situação considerada grave nos últimos dois a três anos, com níveis de profundidade e volume abaixo do padrão histórico. O reservatório chegou ao menor nível já registrado em abril de 2024 e voltou a se aproximar desse patamar no fim de 2025.
O que chamou a atenção dos pesquisadores foi uma recarga de água observada em dezembro, mesmo sem registro de chuvas significativas. Segundo o estudo, a única explicação plausível seria a entrada de grande volume de água proveniente de esgotamento sanitário ou outros efluentes.
Imagens de satélite também identificaram uma extensa pluma branca se espalhando pelo espelho d’água, possivelmente transportada pelo Canal das Piabas. A alteração na coloração da água reforça a hipótese de mudança na qualidade hídrica do açude.
Apesar disso, o pesquisador destaca que ainda não é possível afirmar a causa direta da morte dos peixes. A confirmação dependerá das análises laboratoriais da água, que devem indicar concentrações químicas, níveis de oxigenação e possíveis contaminantes.
Outro ponto de alerta é o avanço da sedimentação. O acúmulo de material ao longo das décadas tem reduzido a profundidade do reservatório, que hoje apresenta trechos com apenas 2,5 a 3 metros. Em algumas áreas, os sedimentos já começam a aflorar.
O estudo também aponta uma nova dinâmica ambiental: sem recargas frequentes, o Açude Velho pode secar parcialmente em determinados períodos, mantendo água apenas na região central. O cenário preocupa especialistas, já que o cartão-postal da cidade depende cada vez mais de fatores artificiais para se manter.
Além dos impactos ambientais, um eventual colapso hídrico poderia gerar reflexos econômicos, turísticos e sociais para Campina Grande. Para o pesquisador, o episódio reforça a necessidade de planejamento contínuo, monitoramento e soluções estruturais para garantir a sustentabilidade do reservatório.








