A mortandade de peixes registrada no Açude Velho, em Campina Grande, é consequência direta de um processo de eutrofização artificial provocado pela ação humana. A avaliação é do biólogo e mestre em Ciência e Tecnologia Ambiental, Ronaldo Justino, que explicou o fenômeno durante entrevista à Campina FM.
Segundo o especialista, a eutrofização ocorre quando há excesso de matéria orgânica na água, principalmente proveniente de ligações clandestinas de esgoto e do acúmulo de resíduos sólidos arrastados pelas chuvas. Diferente do processo natural, esse tipo de eutrofização reduz a biodiversidade e compromete drasticamente a qualidade da água.
O professor destacou que o problema poderia ter sido evitado ou minimizado com ações preventivas, como fiscalização das ligações de esgoto, controle dos rejeitos urbanos e uso de sistemas de oxigenação da água. Ele lembrou ainda que cerca de 85% dos corpos hídricos do Nordeste sofrem com algum grau de eutrofização, em sua maioria causada por interferência humana.
De acordo com Ronaldo Justino, a recuperação do Açude Velho não será imediata. Mesmo com a retirada de aproximadamente dez toneladas de peixes mortos, o processo ecológico de recomposição é lento, depende da melhoria da qualidade da água e da redução contínua da carga orgânica lançada no manancial.
O biólogo também alertou para riscos à saúde da população devido à liberação de gases provenientes da decomposição dos peixes, especialmente em um ambiente com pouca oxigenação. A recomendação é evitar permanecer nas proximidades do açude, principalmente crianças e pessoas com problemas respiratórios.
Por fim, o especialista reforçou que a responsabilidade pela preservação ambiental é compartilhada. Para ele, o estado atual do Açude Velho reflete diretamente as práticas adotadas em toda a bacia de drenagem, envolvendo tanto o poder público quanto a população.








