A mamografia a partir dos 40 anos e a atenção a alterações nas mamas podem fazer diferença no diagnóstico precoce do câncer de mama. O alerta foi feito pela médica mastologista Cristiane Araújo, presidente da ONG Mulheres de Peito, durante entrevista ao Jornal Integração, da Campina FM.
Em meio às ações do Outubro Rosa, a especialista destacou que, apesar do avanço das campanhas de conscientização, a desinformação ainda representa um desafio. Segundo Cristiane, informações falsas divulgadas principalmente nas redes sociais podem, inclusive, afastar mulheres de exames importantes, como a mamografia.
A mastologista ressaltou que a Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda a realização anual da mamografia dos 40 aos 74 anos. Já o Ministério da Saúde, conforme explicado pela médica durante a entrevista, adota recomendação diferente para o rastreamento de mulheres assintomáticas.
Cristiane explicou ainda que mulheres mais jovens podem apresentar mamas mais densas, condição que pode dificultar a visualização de alterações na mamografia. Por isso, dependendo de cada caso, o exame pode ser complementado com ultrassonografia. Mulheres com histórico familiar também precisam de avaliação individualizada pelo mastologista.
SINAIS QUE MERECEM ATENÇÃO
Além dos exames de rastreamento, a especialista chamou a atenção para alterações que devem levar a mulher a procurar atendimento médico. Entre os principais sinais mencionados durante a entrevista estão:
- caroço ou nódulo que aparece e cresce rapidamente;
- retração ou afundamento da pele da mama;
- saída espontânea de sangue pelo mamilo;
- alteração importante na aparência da mama;
- pele endurecida ou com aspecto semelhante à casca de laranja.
Cristiane explicou que a presença desses sinais não deve ser ignorada. O objetivo do acompanhamento periódico, porém, é identificar possíveis tumores antes mesmo que possam ser percebidos pelo toque.
TRATAMENTOS ESTÃO MENOS INVASIVOS
Outro ponto abordado foi a evolução no tratamento do câncer de mama. Segundo a mastologista, as mastectomias são hoje menos frequentes em sua prática, já que, dependendo do caso, é possível realizar cirurgias conservadoras, retirando apenas uma parte da mama.
A médica também destacou os avanços dos tratamentos medicamentosos e das técnicas de reconstrução. Apesar da evolução, ela ressaltou que cada paciente precisa ser avaliada individualmente e que a cirurgia continua necessária em determinados casos.
ONG MULHERES DE PEITO AMPLIA ATENDIMENTO NA PARAÍBA
Durante a entrevista, Cristiane Araújo também apresentou números da ONG Mulheres de Peito. Segundo ela, a instituição já atendeu mais de 15 mil mulheres e contabilizou mais de 1,3 mil casos de câncer de mama diagnosticados na Paraíba.
Com sede própria em Cuité, a entidade realiza exames como mamografia e biópsia e mantém parceria com 21 prefeituras. De acordo com a médica, o serviço diagnostica atualmente entre três e 14 casos de câncer de mama por mês.
A especialista reforçou que informação de qualidade, acesso aos exames e acompanhamento médico são fundamentais para ampliar as chances de diagnóstico precoce.
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