A Paraíba poderá registrar o segundo maior crescimento do Produto Interno Bruto do Nordeste e o sexto maior entre os 26 estados e o Distrito Federal, segundo projeções econômicas recentes. A estimativa reforça o momento positivo da economia estadual, mas especialistas alertam que o cenário ainda depende de fatores estruturais e de manutenção do ritmo de investimentos.
Em entrevista ao Jornal Integração, da Campina Fm, o economista Cássio Besarria, presidente da Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia (ANPEC), destacou que a projeção não é garantia de resultado consolidado. Segundo ele, caso o crescimento se confirme, haverá ampliação da renda, do consumo e dos investimentos no estado.
Besarria explicou que o crescimento sustentável exige mudanças estruturais, como investimento contínuo em educação, qualificação profissional e tecnologia. “Educação é um fator irreversível. Quando a população é qualificada, a produtividade aumenta e o crescimento tende a se manter no longo prazo”, afirmou.
Atualmente, o setor de serviços representa mais de 70% do PIB paraibano, enquanto a construção civil exerce forte efeito multiplicador na economia, gerando emprego e estimulando outras atividades. O economista também destacou a relevância das micro e pequenas empresas, que representam mais de 90% dos empreendimentos no estado, além do peso das grandes empresas na geração de empregos formais.
Sobre a relação entre crescimento do PIB e qualidade de vida, Besarria ressaltou que o impacto depende do nível de desigualdade. Estados com maior concentração de renda podem crescer sem que os ganhos cheguem de forma ampla à população. Indicadores como o Índice de Gini (utilizado para medir a desigualdade na distribuição de renda ou riqueza em um país ou grupo) são fundamentais para avaliar essa distribuição.
Outro ponto destacado foi a liderança da Paraíba na geração de empregos no Nordeste, fator que contribui diretamente para aumento da renda e do consumo. No cenário internacional, a redução de tarifas dos Estados Unidos pode favorecer exportações brasileiras, especialmente o setor calçadista, que tem peso significativo na pauta exportadora paraibana.
O economista também apontou o turismo como vetor estratégico de crescimento, principalmente em períodos como Carnaval e São João, por trazer renda de fora para dentro do estado. No entanto, alertou para a necessidade de planejamento para evitar impactos ambientais e urbanos negativos.
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