O mês de agosto marca uma das principais campanhas de conscientização voltadas à saúde infantil: o Agosto Dourado, iniciativa que busca fortalecer o incentivo ao aleitamento materno e conscientizar a sociedade sobre a importância da rede de apoio às mães durante a amamentação. A médica pediatra e presidente da Sociedade Paraibana de Pediatria, Maria do Socorro Ferreira Martins, destacou, em entrevista ao Jornal Integração da Campina FM, que o leite materno vai muito além da nutrição e representa um dos maiores investimentos na saúde da criança.
Segundo a especialista, o Agosto Dourado é uma política pública instituída no Brasil desde 2017 e amplia as ações da Semana Mundial da Amamentação. O objetivo é mobilizar profissionais de saúde, famílias e gestores para incentivar o aleitamento materno e reduzir os índices de mortalidade infantil.
A pediatra explica que o leite materno protege os bebês contra infecções, alergias e doenças crônicas, como obesidade, diabetes e hipertensão. Além disso, também beneficia a saúde da mãe, reduzindo o risco de hemorragias pós-parto e de alguns tipos de câncer, como mama, ovário e endométrio.
Outro ponto destacado foi a importância da rede de apoio. Para Socorro Martins, familiares, profissionais de saúde e empregadores têm papel fundamental para que a amamentação seja bem-sucedida. Pequenas atitudes, como ajudar nas tarefas domésticas, oferecer acolhimento e garantir ambientes adequados para a retirada e armazenamento do leite materno, fazem diferença na rotina das mães.
A especialista também defende a ampliação das políticas públicas para garantir que mais mulheres tenham acesso à licença-maternidade de seis meses, período recomendado para o aleitamento materno exclusivo. Ela lembra que, após os seis meses, a amamentação deve continuar de forma complementar até, pelo menos, os dois anos de idade.
Durante a entrevista, Socorro Martins ainda ressaltou a importância dos bancos de leite humano, que atendem principalmente bebês prematuros, e defendeu a expansão da estrutura para facilitar a coleta do leite nas residências das doadoras.
Atualmente, cerca de 48% das crianças brasileiras recebem aleitamento materno exclusivo até os seis meses. A meta da Organização Mundial da Saúde é elevar esse índice para 70% até 2030.
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