Dores espalhadas pelo corpo durante meses podem ser um sinal de fibromialgia, mas não são suficientes para confirmar a doença. Em entrevista ao Jornal Integração da Campina FM, a médica reumatologista Rebecca Maria Eulálio explicou como é feito o diagnóstico e destacou que sintomas relacionados ao sono, memória e disposição também podem estar associados à síndrome.
Segundo a especialista, a fibromialgia é caracterizada principalmente pela presença de dor generalizada e persistente. No entanto, o paciente pode apresentar outros sintomas, como indisposição, alterações de memória e cognição, problemas no sono e dores de cabeça frequentes.
A médica reforçou que nem toda dor pelo corpo significa fibromialgia. Por isso, pessoas que apresentam sintomas persistentes devem procurar avaliação especializada em vez de tentar identificar a doença por conta própria.
Fibromialgia não tem exame específico para diagnóstico
Um dos principais esclarecimentos feitos durante a entrevista é que não existe, atualmente, um exame de sangue ou de imagem específico capaz de confirmar a fibromialgia.
O diagnóstico é clínico. Durante a consulta, o médico avalia o histórico do paciente, há quanto tempo as dores existem, como elas estão distribuídas pelo corpo, quais outros sintomas estão presentes e os resultados do exame físico.
Dependendo do quadro, exames complementares podem ser solicitados para investigar e descartar outras doenças que apresentam manifestações semelhantes.
Rebecca Maria explicou que essa diferenciação é especialmente importante porque existem diversas doenças reumatológicas capazes de produzir sintomas que podem ser confundidos com os da fibromialgia.
Tratamento não depende apenas de medicamentos
Outro ponto destacado pela reumatologista é que o tratamento da fibromialgia deve ser multidisciplinar e não se resume ao uso de medicamentos.
Entre as estratégias utilizadas estão medicamentos indicados individualmente pelo médico, prática de atividade física e psicoterapia. Dependendo das necessidades de cada paciente, o acompanhamento também pode envolver profissionais de diferentes áreas, como reumatologia, neurologia, psiquiatria, fisioterapia e psicologia.
A especialista ressaltou que não existe uma única fórmula de tratamento válida para todos. A abordagem deve considerar as características de cada paciente, incluindo intensidade da dor, qualidade do sono e demais sintomas.
Mulheres entre 30 e 50 anos são mais atingidas
De acordo com Rebecca Maria, a fibromialgia ocorre com maior frequência em mulheres entre 30 e 50 anos. A doença, porém, também pode atingir homens e existem casos registrados em crianças.
Para quem recebe o diagnóstico ou apresenta sintomas persistentes compatíveis com a síndrome, a orientação é procurar acompanhamento especializado. O reumatologista é o profissional responsável por conduzir a avaliação e direcionar o tratamento de acordo com as necessidades individuais.

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