O crescimento das apostas esportivas e dos jogos online tem acendido um alerta para um problema que vai muito além das perdas financeiras. O impacto na saúde mental de pessoas que desenvolvem dependência em plataformas de apostas tem levado cada vez mais brasileiros a buscar ajuda especializada.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde ampliou o serviço de teleatendimento psicológico remoto e sigiloso voltado tanto para apostadores quanto para familiares que convivem com a dependência. A iniciativa busca facilitar o acesso ao tratamento e reduzir barreiras como a vergonha e a dificuldade de encontrar profissionais especializados.
Em entrevista ao Jornal Integração, o psicólogo, mestre em Psicologia da Saúde pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e professor universitário Max Lira destacou que reconhecer o problema o quanto antes aumenta significativamente as chances de interromper o ciclo do vício.
Segundo o especialista, muitas pessoas demoram a procurar ajuda por medo do julgamento, enquanto familiares costumam interpretar o comportamento apenas como falta de controle ou de responsabilidade. No entanto, a dependência em apostas envolve mecanismos psicológicos semelhantes aos observados em outros transtornos relacionados à dependência química.
“O problema não é o jogo em si, mas a frequência e a perda do controle”, explicou o psicólogo durante a entrevista.
Max Lira afirma que o comportamento costuma seguir um ciclo: após perder dinheiro, o apostador sente culpa, desenvolve ansiedade e acaba voltando a apostar na tentativa de recuperar o prejuízo. Esse processo acaba alimentando ainda mais a compulsão.
Outro fator apontado pelo especialista é a facilidade de acesso às plataformas por meio dos smartphones. Com poucos toques na tela, é possível apostar a qualquer momento do dia, situação potencializada pela grande quantidade de publicidade e ações de influenciadores digitais.
Além dos prejuízos financeiros, o vício pode provocar conflitos familiares, queda no rendimento profissional, ansiedade, depressão e, em casos mais graves, pensamentos suicidas.
Para o psicólogo, envolver a família durante o tratamento é essencial, já que os parentes costumam ser os primeiros a perceber mudanças de comportamento e também precisam de orientação para lidar com a situação.
A recomendação é buscar ajuda sempre que as apostas deixarem de ser uma forma ocasional de entretenimento e passarem a comprometer a vida financeira, emocional, profissional ou os relacionamentos.
ATENDIMENTO PELO SUS
O teleatendimento disponibilizado pelo Ministério da Saúde oferece acolhimento psicológico de forma remota, sigilosa e sem julgamentos, tanto para pessoas que enfrentam problemas com apostas quanto para seus familiares.
PASSO A PASSO DO ATENDIMENTO
- Baixe o aplicativo: Acesse a plataforma Meu SUS Digital no celular ou computador.
- Faça o autoteste: Utilize o miniapp dedicado a saúde mental para identificar sinais de risco ou compulsão pelas apostas.
- Agende a consulta: Marque o atendimento por videochamada com profissionais especializados.
- Encaminhamento: O suporte serve como porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) caso seja necessário acompanhamento contínuo.
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