Com a chegada do período junino, o Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, em Campina Grande, intensifica as ações de conscientização sobre a prevenção de queimaduras. A unidade lançou a 23ª edição da campanha educativa que busca reduzir os acidentes causados por fogos de artifício, fogueiras, líquidos quentes e até equipamentos elétricos, situações que costumam aumentar nesta época do ano.
Durante entrevista à Campina FM, a médica cirurgiã plástica Dra. Isis Lacerda destacou que a prevenção continua sendo a principal ferramenta para evitar acidentes, especialmente entre as crianças, que representam a maior parte dos atendimentos na ala de queimados do hospital.
Segundo a especialista, a campanha vem sendo realizada há mais de duas décadas e, nos últimos anos, passou a contar com visitas a escolas estaduais para conscientizar estudantes sobre os riscos relacionados ao fogo. O lema da ação é “Quem brinca com fogo pode se queimar”.
Apesar da redução na gravidade dos casos ao longo dos anos, a médica alerta para o aumento do número de ocorrências. Em 2026, a preocupação é ainda maior devido à coincidência das festas juninas com a realização da Copa do Mundo, o que pode ampliar o uso de fogos de artifício.
Dra. Isis explicou que os fogos continuam sendo uma das principais causas de queimaduras em crianças. Por isso, orienta que os produtos sejam adquiridos em locais autorizados, utilizados conforme a faixa etária indicada e sempre sob supervisão de um adulto.
Além dos fogos, as tradicionais comidas típicas também exigem atenção. Preparações quentes, panelas de grande porte, pamonhas recém-cozidas e recipientes aquecidos podem provocar queimaduras graves, especialmente em crianças pequenas.
Outro alerta importante é para os acidentes envolvendo eletricidade. O Hospital de Trauma tem registrado casos relacionados a extensões elétricas mal conservadas, carregadores de celular e instalações improvisadas, que podem provocar queimaduras e até incêndios.
As fogueiras também continuam oferecendo riscos. Embora as fogueiras urbanas tenham diminuído, a médica chama atenção para um perigo recorrente: as brasas que permanecem ativas no dia seguinte. Todos os anos, a unidade recebe crianças com queimaduras graves após contato com cinzas aparentemente apagadas.
Entre as orientações de primeiros socorros, a recomendação é simples: lavar imediatamente a área atingida com água corrente, resfriando a queimadura, cobrir o local com um pano limpo e procurar atendimento médico. Produtos caseiros como pasta de dente, pó de café, manteiga ou qualquer outra substância não devem ser utilizados, pois podem agravar a lesão e dificultar o tratamento.
A especialista também ressaltou que queimaduras extensas podem comprometer o funcionamento de diversos órgãos, exigindo atendimento rápido. Por isso, vítimas de queimaduras graves devem ser encaminhadas imediatamente a uma unidade de saúde para avaliação e estabilização.
Atualmente, a ala de queimados do Hospital de Trauma conta com quatro leitos masculinos, quatro femininos e quatro pediátricos, além da possibilidade de ampliação da capacidade durante o período junino.
Ao final da entrevista, Dra. Isis reforçou que a atenção dos pais e responsáveis é fundamental para evitar acidentes.
“Quando acontece uma queimadura, o transtorno já está instalado. A prevenção continua sendo a melhor forma de proteger as crianças e evitar sequelas que podem acompanhar a vítima por toda a vida”, destacou.
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