A campanha Maio Bordô chama atenção para um problema que afeta milhões de pessoas em todo o mundo: a cefaleia, popularmente conhecida como dor de cabeça. Em entrevista à Campina FM, a médica neurologista Larissa Neves destacou a importância de conscientizar a população sobre os sinais de alerta e os tratamentos disponíveis para a enxaqueca e outros tipos de dores de cabeça.
Segundo a especialista, a cefaleia ainda é muito banalizada, apesar de atingir cerca de 35% da população mundial. Dados recentes apontam que aproximadamente 3 bilhões de pessoas sofrem com dores de cabeça em todo o planeta. A enxaqueca, um dos tipos mais incapacitantes da doença, é considerada a segunda maior causa de incapacidade entre doenças neurológicas, ficando atrás apenas do AVC.
Durante a entrevista, a neurologista explicou que as dores de cabeça são divididas em cefaleias primárias e secundárias. As primárias acontecem quando o próprio cérebro apresenta maior sensibilidade para desenvolver a dor, como acontece na enxaqueca. Já as secundárias podem ser consequência de outras doenças, como sinusite, infecções, hemorragias, trombose e até tumores cerebrais.
A médica também chamou atenção para os sinais de alerta que exigem investigação médica. Entre eles estão dores de cabeça iniciadas após os 50 anos, dores que pioram com esforço físico, tosse ou mudança de posição, além de dores frequentes que passam de três episódios por mês durante três meses consecutivos.
Outro ponto abordado foi a relação entre enxaqueca e estilo de vida. Segundo Larissa Neves, fatores como sedentarismo, má alimentação, privação de sono, estresse emocional e uso excessivo de analgésicos podem aumentar as crises. A neurologista destacou ainda que mulheres têm três vezes mais chances de desenvolver enxaqueca devido às oscilações hormonais.
O uso indiscriminado de medicamentos também preocupa os especialistas. A médica explicou que existe, inclusive, uma classificação chamada “cefaleia por uso excessivo de analgésicos”, quando o próprio remédio passa a contribuir para a cronificação das dores.
A entrevista também trouxe informações sobre os avanços no tratamento da enxaqueca. Além das medicações preventivas tradicionais, já existem tratamentos modernos com imunobiológicos aplicados em forma de canetas injetáveis, capazes de reduzir significativamente a frequência das crises e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Larissa Neves reforçou ainda que a qualidade do sono é fundamental para a saúde neurológica e que o excesso de exposição às telas pode agravar dores de cabeça, especialmente em pessoas com sensibilidade à luz.
A neurologista atende atualmente em Campina Grande, na clínica SINAPTA, localizada no empresarial Mundo Plaza.
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