O mercado imobiliário paraibano vive dois momentos distintos. Enquanto Campina Grande avança com novos empreendimentos, maior verticalização e um estoque considerado saudável, João Pessoa mantém forte expansão, mas já apresenta sinais que exigem atenção diante da elevada oferta de imóveis voltados principalmente para investidores.
A avaliação foi apresentada pelos especialistas Gustavo Zanotto (cofundador do PropTalks) e Bruno Cantalupo (diretor executivo da BCB Inteligência), durante entrevista ao Jornal do Meio-Dia, da Campina FM. Segundo Cantalupo, mais de 210 construtoras e 400 empreendimentos à venda estão atualmente mapeados em João Pessoa e Campina Grande.
CAMPINA GRANDE PASSA POR MUDANÇA NO PERFIL DOS IMÓVEIS
Para Cantalupo, Campina Grande atravessa uma transformação importante. A cidade, historicamente marcada por loteamentos, condomínios e empreendimentos horizontais, começa a ganhar maior verticalização e projetos com características diferentes das encontradas há seis ou oito anos.
O especialista destaca principalmente a chegada de novos produtos destinados ao segmento popular e ao Minha Casa Minha Vida. Na avaliação dele, o estoque imobiliário de Campina Grande permanece saudável porque os empreendimentos estão mais alinhados à capacidade de compra do consumidor local.
A verticalização também foi apontada como um fator capaz de ampliar o acesso a determinadas áreas da cidade. Na prática, terrenos anteriormente ocupados por uma única residência passam a comportar edifícios com centenas de famílias utilizando a infraestrutura e os serviços disponíveis no entorno.
JOÃO PESSOA CRESCE, MAS EXCESSO DE COMPACTOS PREOCUPA
O cenário da capital paraibana é diferente. Gustavo Zanotto destacou que João Pessoa ganhou projeção nacional e passou a despertar também o interesse de compradores e investidores estrangeiros. Qualidade de vida, segurança, belezas naturais e novos projetos imobiliários aparecem entre os fatores apontados para explicar essa valorização.
Ao mesmo tempo, Zanotto fez um alerta para o risco de saturação. Segundo ele, João Pessoa já apresenta quase 9 mil unidades em estoque de plantas compactas, situação que, em sua avaliação, precisará ser corrigida nos próximos anos.
Bruno Cantalupo também chamou atenção para a concentração de empreendimentos destinados ao investimento, como flats, imóveis de um quarto e unidades para locação de curta duração. De acordo com os números apresentados na entrevista, João Pessoa possui quase 3 mil unidades em estoque nesse segmento, enquanto Recife teria cerca de 1.900 e Fortaleza, 1.200.
O especialista ressaltou ainda que a valorização e o aumento dos preços dos terrenos podem dificultar a compra de imóveis pelo próprio morador da capital. Para ele, construtoras precisam equilibrar projetos destinados ao investidor externo com produtos adequados à capacidade financeira do público local.
TURISMO PODE ABRIR NOVAS OPORTUNIDADES PARA CAMPINA GRANDE
Outro ponto destacado durante a entrevista foi a relação entre turismo e mercado imobiliário. Para Zanotto, Campina Grande possui características que podem ser melhor exploradas, como universidades e um parque tecnológico forte.
Na avaliação do especialista, turismo e setor imobiliário precisam trabalhar de maneira mais integrada para atrair visitantes, novos moradores e investimentos. “Cidade se desenvolve com pessoas, turismo atrai pessoas”, resumiu durante a entrevista.
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