Mudanças repentinas no comportamento, isolamento, queda no rendimento escolar, medo de determinadas pessoas e até regressão de hábitos, como voltar a fazer xixi na cama, podem ser alguns dos sinais de que uma criança esteja sendo vítima de abuso. O alerta foi feito pelo psicólogo infantil e especialista em neuropsicologia Bruno Paulino, durante entrevista ao Jornal Integração, da Campina FM.
Segundo o especialista, é importante que pais e responsáveis observem o conjunto de comportamentos da criança, sem tirar conclusões precipitadas com base em apenas um sintoma. O conhecimento que a família tem da rotina e da personalidade da criança é essencial para perceber mudanças significativas.
Bruno orienta que, diante de qualquer suspeita, o primeiro passo deve ser acolher a criança, conversar com calma, sem julgamentos ou culpabilização, e buscar atendimento psicológico o quanto antes. Confirmada a violência, a denúncia deve ser feita imediatamente aos órgãos competentes.
O psicólogo destacou que o Disque 100, o Conselho Tutelar, o CREAS e as delegacias são canais importantes para denunciar casos de abuso. Ele lembrou que milhares de ocorrências ainda deixam de ser notificadas, dificultando a proteção de outras vítimas e a responsabilização dos agressores.
Outro tema abordado durante a entrevista foi o uso excessivo de telas por crianças e adolescentes, especialmente durante o período de férias escolares. Bruno recomenda que os pais supervisionem o acesso à internet, redes sociais e jogos online, já que criminosos podem utilizar chats de aplicativos e plataformas para abordar menores de idade.
De acordo com ele, a aproximação entre pais e filhos é a principal ferramenta de prevenção. Demonstrar interesse pelo que a criança faz na internet, conversar diariamente e criar um ambiente de confiança faz com que ela se sinta segura para relatar situações de risco. Além disso, o especialista recomenda limitar o tempo de tela e incentivar atividades ao ar livre, brincadeiras e momentos em família.
Bruno também explicou que o consumo atual de conteúdos digitais é muito mais intenso do que nas gerações anteriores, favorecendo comportamentos imediatistas e diminuindo a capacidade de concentração das crianças. Por isso, reforça que o equilíbrio entre tecnologia e convivência familiar é fundamental para um desenvolvimento saudável.
Ao final da entrevista, o psicólogo deixou uma mensagem aos pais e responsáveis: manter o diálogo constante, observar mudanças de comportamento, buscar ajuda profissional diante de qualquer suspeita e nunca deixar de denunciar casos de violência contra crianças e adolescentes.
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