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Foto: Campina Fm

Wellington do Queijo: de menino da Feira a símbolo do Calçadão em CG

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Há 42 anos no mesmo ponto, Wellington do Queijo viu o Calçadão da Cardoso Vieira mudar, atravessou crises econômicas e a pandemia e construiu uma relação com clientes que já passa de gerações. O comerciante contou parte dessa trajetória durante entrevista ao Jornal do Meio Dia da Campina FM.

Wellington Barbosa do Nascimento, popularmente conhecido como Wellington do Queijo ou Wellington do Calçadão, chegou ao local em outubro de 1984, aos 25 anos. Hoje, aos 67, considera o comércio mais do que uma atividade profissional. É também uma tradição familiar iniciada ainda na infância.

Filho de comerciante de queijo, Wellington começou a trabalhar aos oito anos ao lado do pai na Feira Central. Antes de assumir a banca no Calçadão, passou por diferentes empregos, incluindo construtora, indústria e Correios. Também cursou Direito e chegou a advogar durante alguns anos, mas decidiu abandonar a advocacia para se dedicar integralmente ao comércio.

UM OBSERVATÓRIO DE CAMPINA GRANDE

Ao longo de quatro décadas, a banca de Wellington se tornou também um ponto privilegiado para acompanhar as transformações do Centro de Campina Grande.

Na entrevista, ele lembrou que o Calçadão já teve uma movimentação ainda maior, especialmente na época em que o Fórum funcionava nas proximidades e juízes, advogados, jornalistas, políticos e outros frequentadores se encontravam por ali depois do expediente. Segundo o comerciante, esse movimento diminuiu, mas o espaço continua marcado pela diversidade de pessoas e assuntos.

Para Wellington, o lugar funciona como um verdadeiro termômetro da cidade. Notícias, discussões políticas, futebol, histórias curiosas e acontecimentos do cotidiano chegam rapidamente às rodas de conversa. Depois de 42 anos, ele diz ter aprendido que é preciso saber ouvir, respeitar opiniões diferentes e ter “jogo de cintura” para conviver com públicos dos mais variados perfis.

PANDEMIA MUDOU O NEGÓCIO E FEZ NASCER O DELIVERY

Um dos momentos mais difíceis dessa trajetória veio com a pandemia. Com o fechamento do comércio, Wellington conta que chegou a ficar preocupado com a paralisação do faturamento enquanto as despesas continuavam.

Foi então que a família entrou em cena. A filha Amanda ajudou na presença digital do negócio e o comerciante passou a trabalhar com entregas, algo que não fazia anteriormente. A experiência deu tão certo que o delivery permaneceu mesmo depois da retomada das atividades presenciais. Alguns clientes que deixaram de frequentar o Centro continuam comprando queijo por entrega.

Para ele, adaptação, qualidade do produto, honestidade e bom atendimento ajudam a explicar a permanência durante mais de quatro décadas em um mercado que passou a enfrentar a concorrência de supermercados, estabelecimentos de bairro e serviços de entrega.

AFINAL, COMO ESCOLHER UM BOM QUEIJO?

Durante a entrevista, Wellington também compartilhou conhecimentos adquiridos ao longo da vida. Segundo ele, o consumidor deve procurar estabelecimentos de confiança e observar principalmente a procedência e a qualidade do produto. O comerciante afirma que seus queijos de coalho são provenientes de Boa Vista, enquanto parte dos queijos de manteiga vem do Sertão e de municípios como Boqueirão e Caturité.

Ele também explicou uma dúvida bastante comum: os furinhos encontrados no queijo de coalho podem surgir por diferentes motivos. Entre as possibilidades citadas estão questões de higiene durante a produção, mas também a acidez do leite provocada pela alimentação do gado. Portanto, segundo a explicação do comerciante, a presença de furos, isoladamente, não permite determinar a causa.

Outra dica diz respeito ao queijo chamado de pré-cozido. Wellington explicou que o aquecimento do produto pode deixar o produto com textura mais “borrachuda”, característica percebida por consumidores que descrevem determinados queijos como semelhantes a chiclete durante a mastigação.

COMO CONSERVAR O QUEIJO

Whelton explicou ainda que a conservação tradicional do queijo de coalho exige cuidados frequentes. Para quem prefere mantê-lo fora da geladeira, ele recomenda higienização e acompanhamento diário do produto, em ambiente ventilado e protegido.

Para quem não dispõe desse tempo, a alternativa apresentada é separar a quantidade que será consumida em curto prazo e conservar o restante refrigerado, envolvido em pano levemente umedecido e com verificações periódicas.

Além dos queijos, a banca oferece produtos como manteiga da terra, doces de frutas, doce de leite, castanhas, bolo de goma e, durante o período junino, bolo pé de moleque. Wellington contou que ele próprio prepara alguns dos produtos, entre eles doces de frutas e manteiga da terra.

Mais que a história de uma banca, os 42 anos de Wellington do Queijo ajudam a contar parte das transformações do comércio e do próprio Centro de Campina Grande. Entre clientes antigos, novas gerações e o delivery, ele resume a fórmula para continuar no mercado: acompanhar as mudanças sem abrir mão da qualidade e do relacionamento com o público.

ASSISTA À ENTREVISTA COMPLETA CLICANDO AQUI

 

Fonte: Alan Ferreira

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