A Associação dos Policiais Civis de Carreira da Paraíba (ASPOL) voltou a defender uma política permanente de valorização da categoria e alertou para o déficit de efetivo na Polícia Civil do estado. Em entrevista ao Jornal Integração da Campina FM, a presidente da entidade, Suana Melo, afirmou que a remuneração dos policiais investigativos continua abaixo da média nacional e que a falta de concursos públicos compromete o funcionamento da segurança pública.
Segundo a dirigente, a categoria reivindica melhorias salariais há mais de uma década. Ela destacou que, apesar de a remuneração média dos policiais civis girar em torno de R$ 9 mil, o valor ainda representa aproximadamente metade do que é pago em diversos estados brasileiros para funções semelhantes.
Outro ponto levantado foi a composição salarial. De acordo com Suana Melo, parte significativa da remuneração é formada por gratificações que não são incorporadas à aposentadoria, o que leva muitos policiais a permanecerem na ativa por décadas para complementar a renda.
A presidente da ASPOL também chamou atenção para o déficit de profissionais. Segundo ela, a legislação estadual prevê um efetivo superior a 6 mil policiais civis, porém atualmente pouco mais de 2 mil servidores estão em atividade. Com isso, a entidade estima uma vacância próxima de 4 mil cargos, o equivalente a mais de 65% das vagas previstas em lei.
Ainda segundo a associação, a demora na realização de concursos públicos agrava o problema. A dirigente lembrou que houve longos intervalos entre seleções e nomeações, dificultando a recomposição do quadro de servidores e aumentando a sobrecarga dos profissionais que permanecem na instituição.
Durante a entrevista, Suana Melo informou que a ASPOL pretende promover debates com os candidatos ao Governo da Paraíba nas eleições de 2026 para discutir propostas voltadas à segurança pública. A entidade afirma que pretende cobrar compromissos relacionados à valorização dos profissionais, realização periódica de concursos públicos, melhoria da infraestrutura e fortalecimento das políticas de combate à criminalidade.
A presidente também voltou a defender que o Governo do Estado celebre um acordo judicial semelhante ao firmado com os delegados de polícia em 2025, estendendo o reconhecimento remuneratório às demais carreiras da Polícia Civil.
Para a ASPOL, investir na valorização dos servidores e ampliar o efetivo são medidas fundamentais para fortalecer a segurança pública, reduzir a sobrecarga dos policiais e melhorar o atendimento à população paraibana.
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