O avanço silencioso do diabetes tem colocado as autoridades de saúde e a população da Paraíba em estado de alerta. Dados recentes apontam mais de 1.190 óbitos provocados pela doença no estado entre janeiro e agosto deste ano — um crescimento de 6,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Para detalhar esse cenário e esclarecer dúvidas frequentes, a Campina FM recebeu o endocrinologista Dr. Victor Colares. Segundo o especialista, a principal razão para o agravamento dos casos reside na demora em identificar a condição. “O nosso corpo é extremamente resiliente e resiste a agressões continuadas. Por isso, se a pessoa for esperar o aparecimento de sintomas clássicos para procurar ajuda, pode atrasar o diagnóstico em até cinco anos, momento em que complicações graves e irreversíveis já se instalaram”, explicou Dr. Victor.
O QUE ESTÁ POR TRÁS DO AUMENTO DE MORTES?
Além do envelhecimento populacional, as mudanças profundas nos hábitos diários da vida moderna são os grandes motores desse índice. De acordo com o médico, o excesso de peso lidera o ranking de fatores de risco, seguido de perto pelo sedentarismo e, em terceiro lugar, pelo consumo desenfreado de carboidratos refinados e alimentos ultraprocessados. Esse estilo de vida tem antecipado diagnósticos de diabetes tipo 2 inclusive para faixas etárias antes atípicas, como adolescentes e jovens adultos.
Entre os danos provocados pela glicose elevada mantida a longo prazo estão as complicações micro e macrovasculares, responsáveis por enfartes, acidentes vasculares cerebrais (AVC), perda de visão, insuficiência renal e amputações de membros inferiores decorrentes de feridas não cicatrizadas aliadas à perda de sensibilidade nos pés.
PRÉ-DIABETES: SINAL DE ALERTA, NÃO SENTENÇA
O endocrinologista também desmistificou o conceito de pré-diabetes, definindo-o como um “cartão laranja”. Trata-se de uma fase plenamente reversível, em que intervenções clínicas, redução de peso e prática constante de atividade física evitam o surgimento definitivo da doença e afastam o risco de sequelas crónicas.
Por fim, o médico ressaltou que, embora haja fatores externos e sequelas metabólicas associadas a quadros pós-virais (como na COVID-19), não existem milagres em remédios caseiros ou fitoterápicos sem controlo de dosagem: a prática regular de exercícios e a vigilância através de exames periódicos de rotina continuam sendo os métodos mais eficazes de proteção.
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