As temperaturas mais amenas podem diminuir a sensação de sede e fazer muita gente esquecer de beber água. O hábito, aparentemente inofensivo, merece atenção: a redução na ingestão de líquidos pode favorecer o surgimento de cálculos renais e aumentar a ocorrência de infecções urinárias.
O alerta foi feito pela médica nefrologista Amanda Damasceno, durante entrevista ao programa Jornal Integração, da Campina FM. Segundo a especialista, apesar de o organismo perder menos líquido pelo suor durante períodos mais frios, ainda é necessário manter uma hidratação adequada.
COR DA URINA PODE INDICAR SE HIDRATAÇÃO ESTÁ ADEQUADA
Uma maneira simples de observar a hidratação é prestar atenção à cor da urina. Amanda explica que uma urina muito escura pode indicar ingestão insuficiente de líquidos. Por outro lado, ela não precisa estar totalmente transparente.
De acordo com a nefrologista, o ideal é uma tonalidade amarelo-clara. A quantidade necessária de água varia de pessoa para pessoa e depende de fatores como peso, profissão e prática de exercícios físicos. Quem trabalha exposto ao calor ou pratica atividades que provocam maior transpiração, por exemplo, tende a precisar de mais líquidos.
CAFÉ E CHÁ TAMBÉM HIDRATAM?
Bebidas como café e chá podem contribuir para a ingestão de líquidos, mas não devem simplesmente substituir a água. A especialista também chamou atenção para o consumo excessivo de bebidas açucaradas e para a ideia de que qualquer chá, por ser natural, seria necessariamente inofensivo.
Amanda Damasceno explicou que existem ervas capazes de provocar efeitos tóxicos nos rins e no fígado e recomendou cautela, especialmente com chás cujos efeitos são pouco conhecidos.
PRESSÃO ALTA, DIABETES E CIGARRO ESTÃO ENTRE OS RISCOS PARA OS RINS
A entrevista também abordou a doença renal crônica. Entre os fatores de risco citados pela nefrologista estão hipertensão, diabetes, tabagismo, idade avançada, doenças cardíacas e uso abusivo de substâncias potencialmente tóxicas para os rins, principalmente anti-inflamatórios não esteroidais. Episódios recorrentes de cálculo renal também podem contribuir para o problema.
Para pessoas com fatores de risco, a médica destacou a importância do rastreamento periódico da doença renal crônica. Entre os exames indicados estão a creatinina, realizada por meio de exame de sangue, e a albuminúria, avaliada na urina.
HEMODIÁLISE NÃO SIGNIFICA O FIM DA QUALIDADE DE VIDA
No Dia Nacional da Diálise, Amanda Damasceno também procurou combater o medo que ainda existe em torno da hemodiálise. Segundo ela, o tratamento evoluiu significativamente nas últimas décadas e atualmente é muito mais seguro.
A nefrologista explicou que pacientes em hemodiálise podem manter qualidade de vida quando recebem tratamento adequado e individualizado. Em geral, a hemodiálise é realizada três vezes por semana, com sessões de aproximadamente quatro horas. A especialista ressaltou que a vida do paciente não deve ser definida exclusivamente pela diálise.
No encerramento da entrevista, Amanda reforçou a necessidade do diagnóstico precoce da doença renal crônica e chamou atenção também para as dificuldades enfrentadas por pacientes que precisam de tratamento dialítico na Paraíba e em Campina Grande.
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